sábado, 12 de abril de 2008

Olhos de Naiade



O Sonhador sonhou com olhos
Cheios de fulgor e beleza
Pôde esboçar apenas um sorriso
Não crendo em sua destreza

O que nunca sonhou, apenas viu
Olhos de Naiade brilhar
Este hipnotizado, não suportou, fugiu
Se lançou no verde do profundo mar

Lugar Vazio

Olhei atento para a sala
Triste vê-la vazia
Lembrei de um breve vulto
Da música que a gente ouvia

E por um breve minuto
Pensei em você me chamando da cozinha
Pra dançar aquela música
Que você sempre dançava sozinha

E hoje eu choro
Pois o que restam são as lembranças
De você preparando sua mudança
Do que um dia chamei de lar
Do seu adeus no fim daquele dia
Dizendo que me dava liberdade
Mas comigo ficou apenas a saudade
E um lugar que ecoa seu nome
Você foi o amor da minha vida

Primeiro Beijo

Coloquei-me a imaginar
Questionava-me onde seria o local de nosso primeiro beijo

Imaginei então, levar-te a mais alta das montanhas
E num momento único.. no por de sol perfeito
Te mostrar o mais belo de todos os horizontes

Ou então, levar-te-ia ao mais raro dos países
Onde te mostraria a mais exuberante das paisagens
Aquela cujo homem algum ousou fotografar

Pensei também em colocar-te diante da maior entre todas as maravilhas do mundo
E juntos veríamos as belezas que o sol dela exibe orgulhoso
Assim como as que a lua, solitária, na noite para si esconde

Questionava-me ainda onde seria o local perfeito
Quando de súbito acordei
Acordei e vi que a realidade era outra
Que tudo o quanto tinha imaginado
Não passava de metas impossíveis, inalcançáveis

Mas não suportei o fato de ver todas aquelas coisas sozinho e a ti contei
Cada lugar, cada sombra, cada mínimo detalhe
Por horas, revivendo cada imagem, tudo a ti falei

E quando enfim, contei-te a última visão
A última sensação, o último raio de luz
Olhei em seus olhos

E neles eu pude ver tudo o quanto tinha visto
Tudo quanto tinha sentido
Tudo quanto tinha sonhado

Então percebi o quanto era tarde
Que nosso primeiro beijoEm sonhos já havia sido dado

Então ali mesmo, num lugar qualquer, escolhido ao acaso
Nos beijamos pela segunda vez
Por mais que nossos lábios nunca houvessem se tocado