sexta-feira, 2 de maio de 2008

O Beijo

Hoje eu beijo é tua alma
Pra sentir a tua excência
Pra ver a tua inocência
Hoje eu beijo é tua boca

Seu coração

Nem de carne, nem de pedra
é o dito coração meu
É de mar, de água fria
Se modela ao peito teu

Dois minutos de mundo perfeito

P'ra sentires o cheiro bom da terra
Eu plantei nos continentes flores
Edifiquei nos altos montes torres
P'ra teres o verde tom da primavera

Pintei no mar, o negro de seus olhos
P'ra poder ter na terra meu lugar
Que pudesse com segurança guardar
Os teus sonhos, o teu sorriso d'ouro

Fiz dos belos rios jóias correntes
Dos lagos todo tipo de pingentes
Usei das virgens matas inocentes
A pureza: p'ra ser fita de presente

Utilizei os céus como embrulho
Mas antes de tudo eu o colori
Pintado nos tons de teu cabelo
Perfeito ficou para dá-lo a ti

Suavizei das praias o contorno
Usando como molde tuas curvas
E toda a sedução que era tua
Aplicada ao mundo, são adornos

Então cada centímetro do mundo
São puro desejo que eu tenho
Pois até o abismo mais profundo
Refiz suave, com teu desenho

Agora mudar-me-ei para a lua
Para poder-te toda apreciar
Sentir teu jeito de fazer amar
As suas formas tão somente tuas

E quando, no fim estiver o tempo
Após dois minutos, de teu puro ar
Partirei levando, comigo ao mar
Lembranças tuas, o mundo perfeito

Dançinha triste

Eu proucurei um disfarce, mas
Não houve em mim qualquer jeito
Aos outros olhos era como louco
Queriam tirar-te de minh'alma

Mas nunca conseguiriam o fazer
Como levariam-te de mim afinal
Não existe nem no sobrenatural
Algo que remova de mim teu ser

Então disseram-me como amigos
Que nada em excesso faria bem
Que separar era um bem também
Assim estaríamos sempre juntos

Me convenceram que merecias mesmo
Que o propósito real era ajudar-te
Valorizar de ti cada ínfima parte
O tempo que merecias estar à ermo

Sabiam que jamais negaria algo
Que de ti fosse em prol minha dama
E uns ponteiros com forma estranha
Diriam a hora de falar contigo

Eles tinham seu próprio compasso
Pensei nessa loucura, viver assim
Eternamente dançando; e se no fim
Eu tropeçar em meu próprio passo?

Agora choro sozinho com a lembrança
Não existe mais razão no outrora dito
Ah se me voltasse aquele tempo bendito
Dos teus abraços cheios d'esperança

Agora já fostes embora na procura
De alguém que te ocupe todo o tempo
E outros, como você, foram embora
Sobrou-me minha dança: o contratempo

Ponteiros

Ao ver a vida dos seres que já se foram
Que o tempo neles se foi como em mim se vai
Tudo por este vício de contarmos as horas
Perdemos um tempo que não volta-nos mais

Tic-tac! Prim, Prim! o relógio enfim falou
E como aqueles ouvintes que nunca escutam
Que sempre olham, p'ra saber o que falaram
Usamos tempo, p'ra ver o tempo que já passou

Contudo, poderia ser o tudo diferente?
Nesta cultura ansiosa por criar rotinas
Um ser sem ponteiros não seria gente

Torno-me, de agora, um rebelde p'ro tempo
Que se notar-mos, é o pior dos inimigos
Sua fama é levar os amores, nossos grandes amigos

Aprendizagem

Disseram-me: Aprenda a falar
E eu falei
Aprenda a Escrever! - disseram-me então
E eu escrevi
Depois me deram uns diplomas e me parabenizaram
Mas eu não entendi
Esquesseram-me de dizer
Que coisa! Resmunguei
Que precisava também
Saber ler, saber ouvir