quinta-feira, 22 de maio de 2008

Teu Céu

Hoje encontrei-me apenas
Desatento e só, olhando
As estrelas deste negro véu
Fiquei ali imaginando
E contanto as mil belezas:
Teus olhos pintados neste céu

E contei para as estrelas
Que conheci um ser de brilho
Com luz única, sem igual
Cuja beleza não consigo
E nem pesar, E nem medi-las
Nas balanças do meu natural

E nesta conversa sobre ter
As puras belezas do mundo
Sonhei assim meu melhor sonho
Cantado às estrelas: você

E num piscar de olhos, eu vi
Que olhava era a rua
Que sonhando só, na janela
Criei um céu: a face tua

Contrapontos

Se eu não a vejo
Não quer dizer que não penso em você
Se não vejo seus olhos
Não significa que não os sinta olhando para mim
Se não posso abraçar-te
Não é o que me empidirá de sentir teu calor
Se ouví-la não posso
Não simboliza que não possa eu reconfortar-me com tua voz
Se não posso beijá-la
De modo algum isso me faz desejá-la menos
Pois a simples lembraça de você
Me faz ver que longe ou perto
Você ainda esta aqui dentro
Fazendo bater forte meu coração
(2007)

Tua Dança

No ritmo do teu compasso
Nesta suave dança tua
Crio novos mundos e luas
No envolver do teu abraço

As notas, e longas e curtas
Cadenciam os pensamentos
Dizem a hora, o momento
De passear na dança sua

Pois no delicado embalo
Desses seus braços de algodão
Eu entro nesta dança tua
P'ra dar vida à meu coração

Lindos teus olhos de melodia
Cantam e encantam minh'alma
O verde azul da menina
Dos teus olhos é alegria

Teus movimentos delicados
Tuas mãos de pétalas rosas
Tocam em mim esse acorde
O som perfeito, sua prosa

Minha bela noiva de cores
Dessas notas de nostalgia
Aceites ser a mulher minha
P'ra dançarmos sobre as flores

E criarei p'ra ti a letra
Dessa perfeita melodia
Para que na noite ou dia
Eu sempre dance, eu a tenha
(2008)

Lembranças

E naquele dia abriu os olhos
Para observar as novas mudanças
Esperou ansioso por isto
Assim como esperou todas as outras vezes

Estava tudo em sua perfeição eterna
Pois a primeira visão fazia pensar
Como sempre o fez
Que tudo nasceu assim
Em seu estado perfeito

Os rodapés medidos em cada detalhe
Lembrando os antigos grandes salões
As mesas tão bem arrumadas
O detalhe das portas
Eram assombrosos em beleza
Cada cor emitia uma alegria calma
E em todo aquele som inexistente, ouvia-se:
Não é festa! - reprisava o silêncio mudo

Apreciava cada detalhe
Cada sombra que surgia e ia
A matização das cores nobres
A pobreza rica das cores pobres
Em seus olhos via-se a nuance de lágrimas
Pois era sabido que tornaria jamais
A ver algo tão belo, tão limpo

Tudo que ele tinha era o conhecimento imortal das palavras
E agora
As vozes que antecipavam com imprecisão cada fato
A única esperança que estas traziam era a moça
Aquela paixão que ele não conhecia
Mas estas diziam que lá estava
Em algum lugar desconhecido
Perdido

Eram portento as coisas que via
Mas a espera na moça fazia-se imponderável
O vento soprou as cortinas quebrando a estática do ambiente
Acusando que a porta fora aberta
E no momento em que visa a porta
Ele vê
E eis aí a inveja de todo cego
Pois a certas pessoas não foi dado o dom
Este dom do amor à primeira vista

E daquele instante
Que nem o tempo ousou medir
Apaixonou-se por cada detalhe daquela que via vindo
Era mais rica em detalhes que o próprio salão
Era mais rica em cores que o próprio salão
Era mais que o que ele próprio conhecia
Nunca havia visto coisa tão linda
Nunca

Ela não precisava falar, mas falou
Nem sorrir, mas sorriu
- Oi amor! - surgiram tais fonemas numa linda voz
Procurou lembrar de outro som mais belo
E torturava-se por não conseguir lembrar
Nem de algo que fosse parecido

"Oi Amor!" ressoava em sua mente
A idéia era fazer lembrar dum amor antigo
Mas só lembrava do amor que acabara de surgir

Já não eram nuances de lágrimas
Eram lágrimas e nuances
Que andavam lentamente pelo rosto
Pois tudo que ele mais amava
Tentava relembrá-lo de uma vida a dois
De momentos que escutados
Faziam tê-lo inveja mortal
Desde outro ser que um dia ele foi

Cada cena relembrada dum passado inexistente
Mas real no mundo daquela jovem
Era o sonho realizado dela
O desejo incurável dele
Mas um outro
Que já se foi
Os viveu
E sua expectativa era ter os seus momentos próprios

E como todos os dias
Ela o conquistava
Um novo homem
Assim simples
Entrando pela porta
E este homem a fazia esquecer dos outros todos
E a reconquistava
Dando a ela momentos novos
Melhores

Mas na sua infelicidade
O dia sempre termina
E ela parte do salão
Pra encontrar um novo homem amanhã
E ele parte do salão
Pra seu lugar de descanso
De morte

Ele se deita com a lembrança dos beijos dela
Dos imortais detalhes dela
Que vão viver eternamente em sua memória

Seus olhos se fecham
A morte o leva mais uma vez
O sol renasce um novo homem
Guiado por vozes para lugares lindos
Que este jamais ousou visualizar
Um homem que sempre foi apaixonado por cores
Mas que era preparado uma única vez na vida
Todos os dias
Para uma moça amar
(2008)

Arquivos

Hoje eu acordei pra lembrar
Das lembranças já esquecidas
Do tempo, das horas perdidas
Do que um dia foi meu pensar

Eu pensei nos amigos antigos
Nos tão belos dias que já idos
Guardo em especiais arquivos
Dentro da minh'alma perdidos

Eu penso nos sorrisos d'outrora
Nas palavras que à-toa ditas
Soam como palavras benditas
Nos arquivos de minha historia

Ah se me voltasse este tempo
Da singeleza das amizades
Dos votos meus de castidade
De quando pouco era contento

Mas o tempo martela-se firme
Envelhecendo-me o intocável
De uns valores, imensurável
Os arquivos meus que eu tive

sexta-feira, 2 de maio de 2008

O Beijo

Hoje eu beijo é tua alma
Pra sentir a tua excência
Pra ver a tua inocência
Hoje eu beijo é tua boca

Seu coração

Nem de carne, nem de pedra
é o dito coração meu
É de mar, de água fria
Se modela ao peito teu

Dois minutos de mundo perfeito

P'ra sentires o cheiro bom da terra
Eu plantei nos continentes flores
Edifiquei nos altos montes torres
P'ra teres o verde tom da primavera

Pintei no mar, o negro de seus olhos
P'ra poder ter na terra meu lugar
Que pudesse com segurança guardar
Os teus sonhos, o teu sorriso d'ouro

Fiz dos belos rios jóias correntes
Dos lagos todo tipo de pingentes
Usei das virgens matas inocentes
A pureza: p'ra ser fita de presente

Utilizei os céus como embrulho
Mas antes de tudo eu o colori
Pintado nos tons de teu cabelo
Perfeito ficou para dá-lo a ti

Suavizei das praias o contorno
Usando como molde tuas curvas
E toda a sedução que era tua
Aplicada ao mundo, são adornos

Então cada centímetro do mundo
São puro desejo que eu tenho
Pois até o abismo mais profundo
Refiz suave, com teu desenho

Agora mudar-me-ei para a lua
Para poder-te toda apreciar
Sentir teu jeito de fazer amar
As suas formas tão somente tuas

E quando, no fim estiver o tempo
Após dois minutos, de teu puro ar
Partirei levando, comigo ao mar
Lembranças tuas, o mundo perfeito

Dançinha triste

Eu proucurei um disfarce, mas
Não houve em mim qualquer jeito
Aos outros olhos era como louco
Queriam tirar-te de minh'alma

Mas nunca conseguiriam o fazer
Como levariam-te de mim afinal
Não existe nem no sobrenatural
Algo que remova de mim teu ser

Então disseram-me como amigos
Que nada em excesso faria bem
Que separar era um bem também
Assim estaríamos sempre juntos

Me convenceram que merecias mesmo
Que o propósito real era ajudar-te
Valorizar de ti cada ínfima parte
O tempo que merecias estar à ermo

Sabiam que jamais negaria algo
Que de ti fosse em prol minha dama
E uns ponteiros com forma estranha
Diriam a hora de falar contigo

Eles tinham seu próprio compasso
Pensei nessa loucura, viver assim
Eternamente dançando; e se no fim
Eu tropeçar em meu próprio passo?

Agora choro sozinho com a lembrança
Não existe mais razão no outrora dito
Ah se me voltasse aquele tempo bendito
Dos teus abraços cheios d'esperança

Agora já fostes embora na procura
De alguém que te ocupe todo o tempo
E outros, como você, foram embora
Sobrou-me minha dança: o contratempo

Ponteiros

Ao ver a vida dos seres que já se foram
Que o tempo neles se foi como em mim se vai
Tudo por este vício de contarmos as horas
Perdemos um tempo que não volta-nos mais

Tic-tac! Prim, Prim! o relógio enfim falou
E como aqueles ouvintes que nunca escutam
Que sempre olham, p'ra saber o que falaram
Usamos tempo, p'ra ver o tempo que já passou

Contudo, poderia ser o tudo diferente?
Nesta cultura ansiosa por criar rotinas
Um ser sem ponteiros não seria gente

Torno-me, de agora, um rebelde p'ro tempo
Que se notar-mos, é o pior dos inimigos
Sua fama é levar os amores, nossos grandes amigos

Aprendizagem

Disseram-me: Aprenda a falar
E eu falei
Aprenda a Escrever! - disseram-me então
E eu escrevi
Depois me deram uns diplomas e me parabenizaram
Mas eu não entendi
Esquesseram-me de dizer
Que coisa! Resmunguei
Que precisava também
Saber ler, saber ouvir

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Pérola

Oh pérola minha
Da aurora que já morreu
Sejas p'ra sempre
Sempre minha
Que serei p'ra sempre
Sempre teu

Ninguém te dará
O que dou-te eu!
Se ninguém o dar
Eu dou-te sempre
O que ninguém te deu

Pois és deste mar
Pérola única
Do meu amargor
Único mel
És minha veste
Minha túnica
Onde me escondo
Sob o aberto céu

Você

E das belezas que encontro
Já nem sei mais que digo
Nos teus olhos pura beleza encontro
Tua riqueza faz-me sentir mendigo

Inspiro-me em tudo e tudo escrevo
Faço versos p'ra escrever à vida
A vida que que seus olhos dão
Que domina, como livre escravidão

Em cada foto, Em cada movimento
Eu encontro mais, sempre mais beleza
Isso só não é paixão, tenho já certeza
É minha obsessão , É meu contento

Eu não quero ser amigo só
Quero ser adimirador eterno
Ter de tua alma mais folego
Tornar-me algo melhor, maior

Perdoe-me por não ser teu desejo
Mas não posso sê-lo assim
Não seria eu próprio, com meu zelo
Se tua boca viesse até a mim

Mas saibas anjo meu, que se cala
Que eu todos os dias a vejo aqui
Como no sagrado dia em que vi
Seus olhos perto, iluminado minh'alma

Meu Desejo

Quero iluminar meus dias
Cada um deles
Com a luz de teu olhar
E dar a meus dias mais desejo
Apimentando todos eles
Com o sabor de teu beijar

Meus sonhos me levam
Mesmo não querendo
A desejar estar do seu lado
Mesmo não podendo

Mata em mim essa agonia
Mente que não sou ninguém
Mente que eu fingo acreditar
Diga que sempre amou um outro alguém

Diz que em mim jamais pensou
Deixe que eu em minha loucura acredite
Fale que tudo não passou de um sonho
Que tudo que vi, de fato, não existe

Pois todos os dias contigo sonho
E todos os dias, em outros braços repousas
E mesmo sendo tortura pensar em tais coisas
Uma esperança de você eu alimento

Não diga-me mais: olá!
Pois o que mais quero, é a ultima coisa que desejo
Seu doce e amargo adeus