quarta-feira, 30 de abril de 2008

Teu Brilho

Bom é observar teu sorriso
Mesmo que eu aqui não vê-lo possa
E buscar em teus olhos essa luz
Que é minha poesia, é minha prosa

Queria te ter por um momento
Do meu ladinho sabe flor
Só pra passar um tempo, juntos
E quem sabe, conversar o amor

Mas só de pensar nessa conversa
Não me vem a imaginação diálogos
Pois as palavras complicariam tudo
E fariam no meu imaginar o estrago

Queria apenas pensamentos mudos
Que fossem muito dos tagarelas
Que fossem à ouvir nossa conversa
- É que não gosto de pensamentos surdos

Contudo doçura, os teus doces olhos
Eles estão só sabe Deus onde
Quiçá, ensinando as estrelas
Os seus sábios segredos luminosos

De teu sorriso então, sequer ouso
Comentar, por jura, qualquer destino
Seduzindo um outro coração distraído
Deve se achar aqui, acolá, pomposo

Mas como prosa e poesia, todo esse brilho
Tem um final que sempre encontra! Entretanto
Se precisares de teu olhar, de teu sorriso
Procure-os na lembrança, deste poeta absorto

Amor de Graça

Amei-te em tão acelerado compasso
Que, mesmo antes que caisse
Rolando-se em minha face triste
A lágrima; o amor meu era acabado

Mas não penses tu que foi ele exíguo
Pois digo: foi muito, acredite, pois
Suas minúcias são, antes ou depois,
As de maior graça! Disto não duvido

Mas feliz sou por meu pretexto
- O que se pode tornar em surpresa
Meu amor era não solidão, era proeza
Amar é bom! E isto é o contexto

Mas o que me consola, por parte tua
É o pensar, contudo, fria e crua
Que no desenvolver disto, de tudo
Não choraste, não soubeste! Ele é nulo

Espectro

Onde quer que vá eu
Não há marcas que comprovem
Pois sou espectro, não homem
Não possuo o próprio corpo meu

Como farol distante observo
A existência dos viventes
Seres vagantes, doentes
Sem a cura que busco, que quero

Sou pensante, sou amante
Sou calhorda, um farsante
Sou eterno sonhador!

Engano homens num instante
De que vivo, amante e confiante
mas não vivo, eu sou é dor!

A bela

Do que vejo, não minto eu
Mas por costume, sussinto
Nada digo, apenas sinto
O bom cheiro do perfume teu

E, de tudo que eu atento vejo
Sobrepor não posso, seria louco?
Descrever com conhecimento pouco
O sentir do saborear seu doce beijo

Contudo, de todas as tuas verdades
Além do ver de meus humanos olhos
Não existe encanto mais notório
Do que, do teu coração, a sinceridade

Teu Jardim

Ousaria eu arrancar-te
de teu jardim para ter sua beleza?
Antes morrer só, do que
furtar de um jardim tanta riqueza!